Um Percurso:
Percursos
Agulha
Em 1993, Ribenboim introduziu um outro signo em seu repertório temático-formal, ao implantar, no asfalto da Via Anchieta, uma agulha de alumínio polido, com 3,5 metros de altura. Recolhida depois de algum tempo, e já abrigando em seu perfil as interferências do tempo e do público, sua agulha ganhou maior visibilidade, ao integrar a mostra internacional The edge of awareness/O limite da consciência, promovida pela Art for the world, que desde o ano passado vem circulando por diversos países, o Brasil inclusive. O objetivo dessa mostra, comemorativa do cinquentenário de criação da Organização Mundial da Saúde, é estabelecer conexões entre arte e saúde, no âmbito de uma discussão sobre a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar do homem no mundo de hoje. Explicando seu trabalho, no catálogo da mostra, Ribenboim diz que “a distância entre a ação e as realidades sociais cria um vazio conceitual e ético, uma terra de ninguém propícia à falta de higiene, à fome, ao abandono e às doenças.
É aí, no seio desse espaço, onde falta a consciência, que intervêm as propostas da arte, se não como remédio, ao menos como procedimento de cicatrização”.
No espaço de tempo que permeia as duas datas, as Agulhas de Ribenboim foram implantadas em diversos contextos, às vezes portando seu complemento — a linha e/ou corda — e sempre relacionadas a outros materiais e suportes: estruturas de concreto, muros de tijolos, piso, grama etc. Ao intervir no tecido urbano ou se apropriar de signos e/ou ícones do consumo, Ribenboim costurou novos e surpreendentes significados, reafirmando, ao mesmo tempo, uma espacialidade específica, que se define a partir de uma estrutura narrativa, envolvendo noções como percurso, trânsito, deslocamentos, transformações e articulações no tempo e no espaço.
PS1/MoMA NYC 1998
Instalação Art for the World, itinerante Genebra (Suíça);
P. S. 1, MoMa Nova York (EUA); Sesc (São Paulo) e
Nova Délhi (Índia)
Agulha
1992
Aluminio
350 x ø7,5 cm
- Texto para o catálogo da exposição
Troca de pele. Galeria Nara Roesler, 1999.