Ricardo
Ribenboim

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Créditos

Em 1993, Ribenboim introduziu um outro signo em seu repertório temático-formal, ao implantar, no asfalto da Via Anchieta, uma agulha de alumínio polido, com 3,5 metros de altura. Recolhida depois de algum tempo, e já abrigando em seu perfil as interferências do tempo e do público, sua agulha ganhou maior visibilidade, ao integrar a mostra internacional The edge of awareness/O limite da consciência, promovida pela Art for the world, que desde o ano passado vem circulando por diversos países, o Brasil inclusive. O objetivo dessa mostra, comemorativa do cinquentenário de criação da Organização Mundial da Saúde, é estabelecer conexões entre arte e saúde, no âmbito de uma discussão sobre a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar do homem no mundo de hoje. Explicando seu trabalho, no catálogo da mostra, Ribenboim diz que “a distância entre a ação e as realidades sociais cria um vazio conceitual e ético, uma terra de ninguém propícia à falta de higiene, à fome, ao abandono e às doenças.

É aí, no seio desse espaço, onde falta a consciência, que intervêm as propostas da arte, se não como remédio, ao menos como proce­dimento de cicatrização”.

No espaço de tempo que permeia as duas datas, as Agulhas de Ribenboim foram implantadas em diversos contextos, às vezes portando seu complemento — a linha e/ou corda — e sempre relacionadas a outros materiais e suportes: estruturas de concreto, muros de tijolos, piso, grama etc. Ao intervir no tecido urbano ou se apropriar de signos e/ou ícones do consumo, Ribenboim costurou novos e surpreendentes significados, reafirmando, ao mesmo tempo, uma espacialidade específica, que se define a partir de uma estrutura narrativa, envolvendo noções como percurso, trânsito, deslocamentos, transformações e articulações no tempo e no espaço.

Art for the World
PS1/MoMA NYC 1998
Instalação Art for the World, itinerante Genebra (Suíça);
P. S. 1, MoMa Nova York (EUA); Sesc (São Paulo) e
Nova Délhi (Índia)

Agulha
1992
Aluminio
350 x ø7,5 cm
  1. Texto para o catálogo da exposição
    Troca de pele. Galeria Nara Roesler, 1999.