Ricardo
Ribenboim

Menu
English
Créditos

Na década de 1970, estive com a minha escola, Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha, em Ouro Preto fazendo um “estudo do meio”. Andando pela rua, eu vi uma pequena voluta, uma peça de madeira largada no meio-fio de uma rua. Inocentemente guardei-a em meu bolso, como se fosse uma relíquia encontrada.

Guardei-a muitos anos sem saber o que fazer com aquilo, mas num certo momento tive uma imensa preocupação se não fazia parte da ornamentação de alguma igreja. Pensei várias vezes em devolver, mas não sabia nem como proceder. Cheguei a consultar um restaurador, mas me disseram que não havia como localizar a origem.

Quando surgiu, em 1999, o convite para fazer parte do 31º Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, de criar uma intervenção urbana na cidade, a primeira coisa que me ocorreu foi devolver à cidade esse pequeno objeto, mas de forma agigantada. Não lembro como consegui a forma de uma voluta na escala ideal, mas consegui criar uma peça que se desfolhava, como um caderno que parecia contar uma história da cidade.

No fim do evento, doei a peça à Prefeitura de Ouro Preto, tenho inclusive o documento de agradecimento da prefeitura, mas, da mesma maneira que a peça da qual me apropriei por 30 anos, a minha intervenção não foi localizada em nenhum acervo até o momento.

A pequena voluta hoje faz parte de um conjunto de memorabília e se transformou em um ícone que depois reproduzi em gesso e alumínio e, como tantas coisas no meu percurso, está à espera do momento certo para ser revivificada.

VOLUTA
década 1970
Madeira revestida
com folha de ouro
10x5x4 cm
VOLUTA
1999
Fibra de vidro e madeira
450 x 110 cm
Acervo prefeitura da
cidade de Ouro Preto