Ricardo
Ribenboim

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Créditos

Essa proposta de intervenção na paisagem marinha é uma representação simbólica do olhar do mundo sobre o Brasil. Um Brasil quase todo banhado pela costa atlântica que ao mesmo tempo nos dá sempre a sensação de imensidão — “Todo mar é um”. Um vulcão na horizontal, mas também um mar “camisa de força”, preso pelas dificuldades, pelos desequilíbrios que enfrentamos em todos os sentidos. É maré vermelha! É um mar que vomita — devolvendo para a terra todos os seus detritos. Pirata, de mensagem de socorro. Esses objetos são feitos desse material que tem o cheiro da minha infância — descartável e multiplicador.

É sem dúvida um jogo feito de objetos que, ao serem cuspidos pelo mar, a divulgação coordenada com a imprensa, darão conta de que não sobrará um único objeto no mar.

Esta proposta é, antes de qualquer outra coisa, plástica: tem forma, peso, cor e mais que isso: tem a busca de um olhar estético explorando o estado, a leveza e a transparência da água, do plástico, do flutuar, do ar.

A atitude será a de depositar mil Bólides marinhos sobre o mar. Mais precisamente, na arrebentação da Praia de Ipanema e outras praias.

Quanto maior for o número de praias, mais interessante será. Possivelmente deverá acontecer concomitantemente no Brasil, em Portugal, na Austrália e no Japão.

  1. Revista Atlântica, número 22, 1999.