Ricardo
Ribenboim

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Créditos

Além do design e da direção cultural que o mantiveram ocupado durante anos, além das diversas facetas polivalentes que abrangem sua obra — sejam esculturas, instalações, pesquisas ou curadorias —, a criação do reconhecido artista paulista Ricardo Ribenboim (São Paulo, Brasil) é, antes de tudo, uma convulsão discursiva, uma perversão da controvérsia em si mesma, que busca quase sempre capturar o corpo do espectador, obrigando-o a pensar — e, por vezes, a agir — além das formulações aparentes e circunstanciais. Isso ocorre por meio da fragmentação formal sobre a qual se ergue seu fundamento lúdico, social e estético.

A partir dessa determinante fragmentação, que vemos reiteradamente articulando um discurso ora híbrido, ora barroco, ora formal, impõem-se os atributos mencionados: o jogo, a intervenção, a metamorfose, tanto corporal quanto significativa, subvertem as transparências, as simulações, as mudanças inconstantes de pele e de papéis. Tudo isso resulta de projeções materiais diretas, de desenvolvimentos espontâneos

de toda sorte de tecnologias duras e brandas, tradicionais e de última geração, que o artista incorpora em um processo que tanto integra o espectador quanto o submete a um distanciamento deliberado, porém transponível, permeável, capaz de evocar respostas e questionamentos muito diversos — da opacidade ao ocultamento.

Essa inelutável dimensão social de sua obra — que, sem dúvida, retoma a extraordinária tradição brasileira sobre o corpo — afeta necessariamente o sentido de sua proposta, a ponto de recolocar o próprio fundamento no contexto em que surge. Ao mesmo tempo, determina a superação desse mesmo contexto, além do muro transparente e desmontável, num cenário em que os destinatários corporais — os afortunados residentes de Nova York — poderão levá-lo parcialmente para casa e disseminar, como esporos, corpo e trans­parência ao mesmo tempo.

Life saving for homeless
2001
Plástico
96 x 53 cm
  1. Texto para a exposição Transparencies, Martinez Gallery, NY, 2003.