UM PERCURSO:
PERCURSOS
Troca de pele
À primeira vista, essas novas esculturas de madeira, que se expandem sobre o chão como serpentes ondulantes ou que se sustentam no espaço como estruturas levitantes, parecem indicar um “recuo” formalista de seu autor. Na verdade, vistas no conjunto de sua obra, elas ajudam a demonstrar que, sem prejuízo das implicações semânticas e mesmo simbólicas, que seriam a marca mais visível de sua criação, Ricardo Ribenboim sempre foi um artista preocupado com as questões formais.(…)
Diante dos novos trabalhos de Ribenboim, aqui expostos, a sensação que se experimenta é diametralmente oposta: construção. E não por acaso a referência mais próxima que encontro na arte brasileira, para suas esculturas, é o neoconcretismo, e, nele, os Bichos de Lygia Clark. Na obra dessa artista, Ribenboim resgatou uma de suas inovações mais revolucionárias: a ideia de participação. Ou, para usar um termo mais atual, interatividade. Ou seja, o artista divide com o espectador a tarefa de construir a forma que ele intui ou almeja. Uma forma dinâmica, que se abre a diferentes articulações e configurações, à medida que o espectador se dispõe a dela participar. Criativamente.
Ao destruir a estrutura interna de cada uma das peças e seus próprios mecanismos de criação, com a ajuda da animação computadorizada, Ribenboim estimula mais ainda a dinâmica participativa. E se tudo isso não bastasse, acrescenta às suas esculturas uma dimensão sonora, que resulta do próprio manuseio dos elementos articuláveis que integram sua estrutura.
Ao revisar a interatividade do modelo neoconcretista, ou, em sentido mais amplo, do modelo construtivo, Ribenboim reafirma qualidades
que impregnam sua obra anterior. Mas acima de todas elas o que verdadeiramente sobressai em suas novas esculturas é uma vontade barroca da forma. Ondulantes, sinuosas, sensuais, enoveladas, torsas, vigorosas, suas esculturas nos conquistam por sua força de convicção e capacidade inventiva.
HOMENAGEM À
ABRAHAM PALATNIK
1999
Madeira e couro motor
75 x75 x 15 cm
Col. Gilberto Chateaubriand
1999
Madeira rádica
Ø 59,5 x 4 cm
Col. particular
1999
Madeira (rádica de olho de passarinho)
500 x ø 15 cm
Acervo Banco Itaú
- Texto para catálogo Troca de pele.
Galeria Nara Roesler, 1999.