Ricardo
Ribenboim

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Créditos

Bicho LC2 é uma instalação feita a partir de objeto submerso na Lagoa da Conceição há 18 meses em processo de absorção de organismos vivos, apresentada em aquário com projeção de vídeo.

A proposta desse trabalho é aplicar o desenvolvimento de novas etapas em que busco “transgredir” o seu estado natural. Ao utilizar a madeira, em exposição apresentada no PS1/ MoMA, Nova York, procurei torná-la flexível pelo tipo de corte e montagem que fiz.

Nesses trabalhos que coloquei no fundo da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, minha intenção foi criar outra fase à peça, considerada acabada, permitindo que o próprio objeto criasse vida própria, não controlada pelo artista ou pela interação do participante, mas sim pela natural absorção dos elementos faunísticos — uma vez aclimatado — que aceitaram a presença de um elemento novo em seu hábitat e agregaram uma nova vida àquilo dito como obra acabada.

Se numa primeira fase o que fiz foi um objeto com a intenção da participação do visitante, nessa fase o que pretendi com o mesmo objeto foi analisar a possibilidade de agregar novos elementos, de uma nova textura, de uma nova vida àquilo que poderia considerar “fossilizado”, uma vez dado como pronto.

Para tal, os trabalhos já estão em processo de absorção da natureza há cerca de dois anos, sendo observados e monitorados com a captação de imagens fotográficas e videográficas. Uma parte desse material está sendo deslocada para a exposição no Santander Cultural, com o objetivo de mostrar — objeto e vídeo — um trabalho em constante processo de trans­formação, inclusive durante a exposição.

Outro aspecto que me interessou foi o processo em si, iniciando com esse projeto um estudo de formação de recifes artificiais, o deslocamento do “lugar comum” da instalação da obra, o papel do sítio específico, o registro do antes e depois e do dentro e fora da água, os desdobramentos nos diferentes estágios da matéria-prima. Uma vez revivificado, o trabalho terá uma nova etapa, que será a da plastinação do objeto, um processo semelhante à mumificação da peça.

O elemento maior à esquerda que integra a obra é uma ascídia, cujo nome científico é Styela plicata, vulgarmente chamada de “mijão”. O monitoramento e registro e as classificações foram feitos pelo biólogo marinho Gabriel Ribenboim.

Esta é a lista do inventário faunístico dentro das classificações científicas que estão agregados ao trabalho apresentado.

_Crustáceos I
Classe Malacostraca
Anomura sp1.
Caprella equilibra

_Crustáceos II
Classe Cirripedia
Cirripedio sp.1
Cirripedio sp.2

_Moluscos
Classe Bivalvia
Bivalvia sp.1
Brachidontes sp.

_Tunicados
Classe Ascidiacea
Styela plicata

_Anelídeos
Classe Polychaeta
Owenia sp.

_Briozoários
Briozoa sp.1

  1. Texto do artista para a exposição
    no Farol Santander Porto Alegre.